O panorama da educação em Cabo Verde, com especial atenção para a ilha de São Vicente, vive um momento de transformação e otimismo. Com investimentos robustos, uma aposta clara na formação técnico-profissional e um olhar atento às novas tecnologias, o arquipélago prepara os seus jovens para os desafios do futuro, promovendo a empregabilidade e o desenvolvimento sustentável.
O Governo cabo-verdiano demonstrou um compromisso inequívoco com a educação ao aprovar um aumento de 6% no orçamento do setor para 2026. Este acréscimo, que representa um valor de 770 milhões de escudos cabo-verdianos (ECV), eleva o investimento total para aproximadamente 13,17 mil milhões de ECV [1]. Este montante será crucial para consolidar as reformas educativas em curso, com destaque para a conclusão da produção de manuais escolares do 1º ao 12º ano e a expansão da transição digital, que visa equipar as escolas com laboratórios tecnológicos e acesso à internet de banda larga, alcançando até as zonas mais remotas do país.
O ensino técnico e a formação profissional são pilares fundamentais na estratégia de desenvolvimento de Cabo Verde. A Escola Industrial e Comercial do Mindelo (EICM-GDC), em São Vicente, é um exemplo do dinamismo deste setor, estando acreditada para ministrar cursos de níveis 3, 4 e 5, alinhados com o Catálogo Nacional de Qualificações [2]. Estes cursos, com duração entre um ano e meio a dois anos, preparam os jovens para as exigências do mercado de trabalho em diversas áreas técnicas.
O programa "Emprego e Empregabilidade" (2021-2025) tem apresentado resultados notáveis, beneficiando mais de 29.800 jovens com formação profissional e contribuindo para a criação de mais de 6.000 empregos. As metas para 2026 são ambiciosas: formar 11.700 novos profissionais, apoiar 2.060 estágios e financiar 2.000 projetos de empreendedorismo, com um foco especial nos jovens e nas mulheres [3].
Os dados mais recentes do Inquérito Multiobjectivo Contínuo (IMC 2025) revelam uma tendência positiva, com a taxa de desemprego a cair para 7,5% e uma redução significativa no número de jovens que não estudam nem trabalham [4]. Este sucesso é fruto de políticas públicas que incentivam o empreendedorismo e a qualificação profissional.
A integração da tecnologia no sistema de ensino é já uma realidade em discussão e implementação. Globalmente, 80% dos jovens consideram o conhecimento em tecnologia um diferencial para o emprego. Cabo Verde, alinhado com esta tendência, começa a explorar a introdução de ferramentas tecnológicas nos currículos escolares, preparando os seus estudantes para as profissões do futuro e para um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico.
Com um investimento sólido, uma aposta clara na formação técnica e uma visão de futuro que abraça a inovação, Cabo Verde e, em particular, São Vicente, estão a construir um ecossistema educativo robusto e dinâmico, capaz de capacitar os seus jovens e impulsionar o desenvolvimento do país.