Imagem da EICM

História

Em 1955, o Decreto nº 40.198 da Direção-Geral do Ensino do Ministério do Ultramar criou o embrião da Escola Industrial e Comercial do Mindelo. Nessa altura, a instituição foi designada Escola Técnica Elementar do Mindelo (ETEM), conforme o artigo 7º do referido decreto, datado de 22 de junho de 1955. Tinha como objetivos introduzir atividades escolares de caráter profissional, dar início ao ensino técnico e formar jovens para o mundo do trabalho.

Contudo, a escola apenas abriu portas a 22 de outubro de 1956, num anexo do edifício do Liceu Gil Eanes. A direção provisória foi assumida por Baltazar Lopes da Silva, uma figura carismática e incontornável no ensino cabo-verdiano. Em 26 de março de 1957, a ETEM transferiu-se para o atual edifício, originalmente um quartel militar, sede da Cavalaria. Nesse mesmo ano, Manuel Batalha assumiu a direção efetiva da instituição.

No dia 1 de maio de 1958, foi oficialmente criada a Escola Industrial e Comercial do Mindelo (EICM), através do Decreto nº 41.604, que determinava o início do seu funcionamento no ano letivo de 1958/1959. Inicialmente, estavam previstos cinco cursos de formação técnico-profissional, três da área industrial e dois da área de serviços. No entanto, devido a diversas dificuldades, apenas três cursos entraram em funcionamento nesse primeiro ano: Comércio, Montador-Eletricista e Formação Feminina.

Em 1961, a escola formou os seus primeiros diplomados, que foram rapidamente integrados no mercado de trabalho. Nesse mesmo ano, reunidas as condições materiais e humanas, foram introduzidos mais dois cursos: Serralheiro-Mecânico e Carpinteiro-Marceneiro.

A introdução de cursos noturnos, a partir do ano letivo de 1970/1971, nas áreas de Comércio, Montador-Eletricista e Serralheiro-Mecânico, em regime de aperfeiçoamento, teve um impacto social significativo. Estes cursos visavam proporcionar formação teórica a jovens já inseridos no mercado de trabalho, mas sem formação académica adequada, permitindo-lhes obter qualificações formais nas suas áreas profissionais.

Ao longo dos anos, a EICM também promoveu outras formações, como os Cursos Complementares de Aprendizagem e o Curso de Mestrança de Construção Civil. Contudo, devido ao reduzido número de inscrições e à falta de financiamento, estas iniciativas tiveram curta duração.

Em 27 de abril de 1961, o professor Guilherme Dias Chantre tomou posse como diretor da escola, cargo que exerceu durante cerca de treze anos, com reconhecida competência, dedicação e, muitas vezes, sacrifício pessoal. Em dezembro de 1974, a seu pedido, foi exonerado do cargo, tendo a direção sido assumida por Francisco Lopes da Silva, então subdiretor, que mais tarde foi nomeado diretor e exerceu funções durante vinte anos.

Ao longo das décadas, vários diretores e subdiretores contribuíram para a consolidação e prestígio da instituição, reforçando a sua identidade histórica.

No ano letivo de 2005/2006, foram introduzidas reformas no ensino técnico e profissional, passando a escola a oferecer duas vias de ensino:

  • Via Geral (7º ao 10º ano)
  • Via Técnica (11º e 12º anos)

Assim, o ensino técnico passou a corresponder ao terceiro ciclo do ensino secundário.

Com essas reformas, a escola passou a oferecer as seguintes áreas de formação:

  • Contabilidade e Administração
  • Artes Gráficas
  • Mecanotecnia
  • Eletrotecnia e Eletrónica
  • Construção Civil
  • Informática de Gestão

Em 2020, foi introduzido o curso de Administração de Sistemas Informáticos e de Bases de Dados, uma qualificação adaptada à via técnica.

Posteriormente, com as reformas implementadas entre 2017 e 2023/2024, o 9º ano passou a assumir um caráter vestibular e transversal às duas vias (Geral e Técnica), que passaram a ter a duração de três anos (10º, 11º e 12º anos).

As áreas técnicas passaram a designar-se cursos técnico-profissionais, sendo atualmente oferecidos os seguintes:

  • Contabilidade e Administração
  • Artes e Design Gráfico
  • Mecanotecnia
  • Eletrotecnia e Eletrónica
  • Construção Civil
  • Informática de Gestão
  • Administração de Sistemas Informáticos e de Bases de Dados

Paralelamente, a escola tem vindo a reforçar a sua aposta na formação profissional, quer de forma autónoma, quer em parceria com entidades públicas e privadas. Atualmente, são oferecidos cursos em regime pós-laboral, nomeadamente:

  • Montagem e Manutenção de Equipamentos Mecânicos (Nível 3)
  • Serralharia de Estruturas Metálicas (Nível 3)
  • Montagem e Manutenção de Motores e Sistemas Auxiliares (Nível 3)
  • Manutenção de Sistemas Elétricos e Eletrónicos de Veículos (Nível 4)
  • Montagem e Manutenção de Instalações de Climatização e Refrigeração (Nível 4)
  • Técnico de Programação (Nível 5)
  • Trabalhos de Acabamento da Construção e Obras Civis (Nível 3)
  • Canalização e Instalações Prediais (Nível 3)
  • Montagem e Manutenção de Sistemas Automáticos Programáveis (Nível 5)
  • Administração de Sistemas Informáticos e de Bases de Dados (Nível 4)
  • Instalação e Manutenção de Equipamentos Informáticos (Nível 3)
  • Instalação e Manutenção de Sistemas Fotovoltaicos de Produção de Energia Elétrica (Nível 4)